Capa do livro Mulheres do tatame: o judô feminino no Brasil

Mulheres do tatame: o judô feminino no Brasil

Autor(es): Gabriela Conceição de Souza e Ludmila Mourão

Editora: Mauad Editora

ISBN: 978-85-7478-372-7

Páginas: 123

Ano: 2011

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Sinopse

O livro revela ao leitor fatos da história da sociedade brasileira por meio de vivências experimentadas pelo esporte feminino no Brasil que certamente despertará o interesse não só dos historiadores ou estudiosos da área, mas também dos apaixonados pelo esporte em geral e em especial pelo judô feminino. Com extrema maestria, foram reunidos relatos da história oral de ícones deste esporte no Brasil; essas histórias de vida transformaram a visão que a sociedade tinha a respeito da capacidade física das mulheres, assim como mudaram o rumo do esporte nacional. Percebemos os desdobramentos gerados pela proibição dos esportes ditos viris às mulheres no Brasil – descritos no segundo capítulo da obra –, o que provocou um atraso no judô feminino. Podemos notar a diferença entre os gêneros, desde o interesse dos técnicos até os investimentos realizados no esporte. As diferenças próprias do feminino e masculino, na luta, muitas vezes foram interpretadas como incapacidade da equipe feminina, desestimulando as atletas.

Review Depois do treino

por Jaques Freitas

Escrito por Gabriela Conceição de Souza e Ludmila Mourão, Mulheres do Tatame é resultado de uma extensa pesquisa sobre as origens e o desenvolvimento do judô feminino no Brasil. O livro foi publicado em 2011 pela Mauad X, e Ludmila Mourão é professora da Faculdade de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ou seja, é uma obra que nasce do ambiente acadêmico, mas que interessa a qualquer pessoa que pise num tatame.

Do judô ao debate sobre mulheres no esporte

O livro começa apresentando ao leitor alguns conceitos fundamentais do judô, passando brevemente por sua filosofia, pelos katas e pelo sistema de graduação. Em seguida, amplia a discussão para o cenário mundial das mulheres no esporte, mostrando como os costumes e as barreiras sociais de diferentes épocas dificultaram e, em muitos casos, tentaram impedir a participação feminina, especialmente nas modalidades de combate.

No Brasil, essa barreira chegou a virar regra oficial. Entre 1965 e 1979, uma deliberação do Conselho Nacional de Desportos proibia as mulheres de praticar lutas de qualquer natureza. Quem treinava fazia isso à margem do esporte oficial, sem campeonatos e sem reconhecimento. É esse vazio que ajuda a entender por que o judô feminino competitivo brasileiro começou tão tarde e por que a história das primeiras atletas ficou tão pouco documentada.

Dez vozes para reconstruir uma história

A partir de relatos de dez judocas, além de matérias e entrevistas, as autoras procuram reconstruir a história da introdução do judô feminino competitivo no Brasil. Ao longo da leitura, conhecemos parte dos desafios enfrentados por essas mulheres para conquistar seu espaço em uma modalidade que, durante muito tempo, encontrou resistência à participação feminina.

Na minha opinião, um dos pontos mais interessantes da obra é justamente dar voz às judocas que participaram dessa trajetória. Seus depoimentos ajudam a compreender que a evolução do judô feminino não aconteceu de forma simples ou natural, mas foi resultado da persistência de mulheres que precisaram superar preconceitos e dificuldades para continuar no esporte.

Do tatame proibido ao pódio olímpico

Vale olhar para onde essa história levou. Depois da revogação da proibição, em 1979, o judô feminino se organizou como competição no país. No cenário internacional, foi esporte de demonstração em Seul 1988 e entrou no programa olímpico em Barcelona 1992. Em Pequim 2008, Ketleyn Quadros conquistou o bronze e se tornou a primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha olímpica em esporte individual. Depois vieram os ouros de Sarah Menezes, em Londres 2012, e de Rafaela Silva, no Rio 2016.

Nenhuma dessas conquistas teria acontecido sem a geração que aparece neste livro. Lido com esse pano de fundo, Mulheres do Tatame deixa de ser só um registro histórico e passa a ser a primeira parte de uma história que ainda está sendo escrita.

Uma leitura curta, mas densa

Com 105 páginas, é um livro relativamente curto, mas que concentra muitos fatos históricos e relatos importantes. A quantidade de informações e a variedade de depoimentos tornam a leitura um pouco mais densa, exigindo atenção para acompanhar os acontecimentos e compreender o contexto de cada história. Uma dica: ler um depoimento por vez, com calma, ajuda a não misturar nomes e épocas.

Para quem é

Para quem deseja conhecer melhor as origens do judô feminino no Brasil, Mulheres do Tatame é uma leitura relevante, que contribui para preservar a memória dessas pioneiras e reconhecer a importância de sua participação na construção do cenário que temos hoje. Recomendo especialmente para professores e professoras que trabalham com turmas femininas e para quem pesquisa a história do esporte.

Para continuar no tema, leia a resenha de JapoNegra, autobiografia da sensei Soraia André, e ouça o episódio do nosso podcast sobre Sarah Menezes e Rafaela Silva.